Destruição. Era apenas isso que rodeava aqueles dois. O
imortal e Algustus travavam uma guerra particular em meio ao campo de batalha,
suas armas lendárias rasgavam o ar em busca de um único golpe fatal no inimigo.
Os olhares se cruzavam e as rochas se desprendiam do chão com tamanho poder se
espalhando pelo cenário, os soldados mais próximos foram lançados a metros para
trás ao primeiro choque das lâminas, e enormes crateras se abriram no chão com
os sucessivos impactos de corpos de um dos dois sendo lançado sobre a terra. O
combate começou mais calmo, por um bom tempo trocaram golpes simples com suas
armas estudando um ao outro e buscando um ponto fraco, todavia em suas
singularidades e estilos de luta os dois se portavam com relativa perfeição.
Algustus
já havia assumido sua forma demoníaca e era circundado por imenso poder,
contudo, o imortal também possuía seus segredos. O vampiro era sacerdote de uma
antiga divindade a muito esquecida, enriquecido e sustentado por esse deus
antigo o adversário de Algustus se mostrava especialmente perigoso. O bruxo
podia sentir a aura mística e poderosa que guardava o rival e tomava precauções,
pois não queria ser surpreendido. A peleja continuou com os dois se respeitando
muito, Cleont tomou a iniciativa de se expor e revelar sua verdadeira força
para terminar o combate. O grande vampiro tocou o chão fazendo duas gárgulas saírem
de um pequeno portal, os enormes monstros de pedra avançaram no bruxo serpente
que teve que usar suas habilidades de rei das víboras para se esquivar dos
poderosos e rápidos golpes que o atingiam, ele deixou uma pele vazia e se desviou
para a lateral fugindo dos ataques. A resposta veio rapidamente, esse jogo de
invocações era para dois. Algustus desenhou um portal no chão e trouxe ao mundo
físico dois dremoras equipados e armados, os demônios convocados pelejaram
contra as gárgulas e iniciaram uma batalha a parte. Os dois generais então
voltaram novamente às atenções para si. Algustus apostou em magia, lançou
grandes bolas de fogo negro e até mesmo uma arrevoada de corvos incendiários,
tudo sem grandes efeitos. A armadura do imortal parecia impossível de ser
superada. Ademais a isso, sua habilidade em combate era especialmente
surpreendente, o vampiro era muito rápido para um individuo que usava um
equipamento tão pesado, Lynerin tinha sérios problemas para evitar os golpes da
grande espada bastarda do inimigo, afinal, um golpe bem dado certamente
partiria o bruxo ao meio.
Ofegante
e frustrado o bruxo das flores procurava um caminho que o levasse até a
vitória, caminho esse que até agora parecia inexistente ou inatingível, nenhum
ataque físico ou mágico parecia surtir efeitos. Não obstante ele não tinha a
mesma habilidade e seu cansaço havia causado uma diminuição considerável de
suas habilidades físicas. O inimigo fazia jus ao seu apelido de “o imortal”,
realmente a proteção divina que ele recebia e suas habilidades faziam crer que
seria impossível matá-lo. Enquanto pensava em todas essas variáveis Algustus se
viu encurralado, não havia percebido que o vampiro o levará para uma armadilha,
preso entre o inimigo e as gárgulas (que a esse momento já haviam destruído os
dremoras de Al) o mago se vislumbrou em uma péssima situação. O rei negro até
se esquivou do golpe de Cleont, mas acabou direto nas garras das Gárgulas, as
criaturas o rasgaram a pele com um golpe preciso e perfuraram seu pulmão com
outro, Al agora respirava com certa dificuldade. Ele se impulsionou para trás e
deixou uma pequena rosa negra no chão, a flor explodiu em uma bola de energia
negra e consumiu os monstros.
O tempo
passava, o ar parecia correr de Algustus e sua visão começava a embaçar devido
à baixa oxigenação, um fiapo de sangue escorria em usa face saindo de sua boca
e chegando até o peito. Mergulhado em seus pensamentos ele procurava a resposta
de como matar o inimigo, e então, percebeu que a pergunta estava errada. Não
era necessário que Algustus o matasse... Em um ultimo esforço Algustus ativou a
própria runa de poder que havia adquirido com o sacrifico do irmão, diferente
das outras, a do bruxo era lilás, e ficava no dorso de suas mãos. A marca
brilhou e junto com ela os olhos de Al, o ambiente escureceu e o rei de
Dragonsreach tomou sua forma com o selo da rosa aberto. Palavras fugiram de sua
boca e um grande portal alaranjado se abriu atrás de Cleont, o vampiro olhou
confuso, sem compreender tão bem o que é acontecia ali e então ele sentiu, como
se o portal fosse um super imã e ele um prego, o vampiro estava sendo sugado
por aquela fenda dimensional. Forte e resistente, o Imortal fincou a espada no
chão e se prendeu a ela, os tentáculos de Algustus o golpearam e o bruxo reuniu
as ultimas forças em uma bola de energia negra, com a explosão do impacto o
filho da noite se soltou de sua espada e foi sugado portal adentro. A fenda se
fechou logo após, estava feito, o general inimigo havia sido banido para uma outra
dimensão, uma dimensão qualquer entre as infinitas do universo da qual
provavelmente nunca sairia. Al voltou a sua forma normal e sentou-se no chão
cansado e com seu arrogante sorriso no rosto, fez uma rosa negra brotar ao seu
lado, recolheu e sentiu a fragrância da flor.






