quinta-feira, 30 de junho de 2016

Verde das almas - Missão da Ordem - Cap VIII

VIII

Riel pegou o Grande ferrão da Rainha e jogou no colo de Illikan.

- Parabéns por sobreviver novato.  Use isso para não precisar de mim par te salvar da próxima vez. Humf. – O fae disse enquanto perdia altitude até pousar.
                May havia conseguido deter os sangramentos de Alexander, não que isso significasse um grande avanço, uma vez que ele se recusava a acordar, nitidamente exausto pelas feridas e pela missão até aqui. O garoto permanecia desacordado no chão.
                - Muito bem, fiz tudo que podia, precisamos levá-lo de volta para casa, sobretudo, precisamos sair daqui. Vamos seus molengas. – a rainha disse com uma postura de autoridade, embora demonstrasse também nítido cansaço.
                - Mais deles virão... Vamos dar logo o fora daqui. – O Fae disse enquanto recolhia suas asas e pousava junto a May para ajudar a carregar Alex.
                - Certo ... – Stummp disse desapontado, sem sua armadura.
                Os Ordenados seguiram em silencio e atentos a qualquer movimento estranho que pudesse representar algum perigo. Subiram pelo Túnel sul em direção à superfície, haviam marcado o caminho e não demorariam a sair daquelas malditas cavernas, Illikan e Stummp permaneciam angustiados e curiosos pela ausência de Algustus e também pela falta de reação de Alexander, todavia sem coragem para questionar o desaparecimento, e principalmente para evitar qualquer ruído capaz de atrair atenção para eles.
                A luz do sol finalmente agrediu os olhos dos Ordenados, vislumbraram ao longe os raios de luz invadindo o recinto e clareando o chão, aceleraram os passos em direção à saída, até ouvirem ruídos atrás deles, sons que gradativamente ficaram mais altos e próximos até perceberem que ainda havia um último guarda de Elite, vivo, e aparentemente nada feliz pela morte de sua rainha. Os Túneis eram pequenos, não permitiam a movimentação para um combate, em contrapartida o inimigo estava acostumado a lutar nesse ambiente e tinha a nítida vantagem do terreno. Outro som se fez audível atrás do monstro, uma série de batidas, como se um tanque de guerra estivesse forçando a passagem e esbarrando e destruindo parte das paredes de terra. Realmente, tudo que precisavam era ter que vencer outro exército antes de deixar a caverna.
                Os guerreiros se esforçaram para pegar suas armas, aquilo estava cansativo, desistir e morrer começava a parecer uma opção interessante. Descansar. Se prepararam para o combate, avançaram contra a criatura, porém, antes mesmo que pudessem desferir qualquer ataque um massa metálica negra e sólida esmagou o crânio do inseto e parou em frente aos Ordenados. Os olhos de Stummp brilharam e ele deu um passo à frente, sua armadura havia lhe ouvido, ela estava ali, o garoto abriu os braços e num movimento mágico cada parte da armadura se moveu encaixando-se no garoto e vestindo-o por completo.  
                - Meu mestre. Eis-me aqui.  – a voz diabólica ressoou na mente de Stummp. – O Jovem lobo ateve-se a sorrir e a prosseguir para fora da caverna.
                Tão logo saíram da caverna Alurk pousou na frende deles com as Águias negras que os haviam trazido até ali. Era hora de partir Stummp Subiu em seu dragão e colocou Alexander sobre ele. May e Riel dividiram uma águia, Layla (que esperava na entrada) e Illikan outra. As aves ergueram voo e o jovem vampiro não conseguiu segurar a curiosidade.
                - Onde está nosso Rei? – Indagou o menino.
                Nitidamente o olhar de todos fez-se preocupado. Demoraram algum tempo para responder, para explicar suas preocupações.
                - Ele virá depois... sei que virá – A rainha de Dragonsreach disse visivelmente abalada.
                - O que ela quer dizer, é que nosso Rei precisa resolver algumas questões antes de voltar, Lady Giovanna foi levada para um lugar perigoso no centro da floresta, um lugar perigoso de mais para nós. Algustus julgou que ele deveria partir sozinho, e nosso dever seria voltar para Dragonsreach e proteger nossa cidade, a rainha regente e os príncipes serão plenamente capazes de resolver eventuais questões do governo. Nosso Rei foi atrás de algo que pode mudar os rumos da Guerra. Temos que confiar nele.  – Riel disse sério, era estranho ver a fada usar aquele tom, ele parecia de fato preocupado.
                - Nós devíamos voltar! Nosso rei precisa de nós – Stummp disse apertando os punhos.
                - As ordens foram dadas. – Riel respondeu seco – Ademais, você não viu o que vimos, não sentiu o que havia naquele lugar, se formos, seriamos mortos. Se alguém pode ir e voltar de lá, é nosso Rei. – Era nítido o temor nos olhos do garoto.

                As aves aumentaram a altitude, era possível ver grande parte da gigantesca floresta dali, e se olhassem atentamente poderia ver o centro daquela grande área e a árvore mãe. Sobre ela erguia-se um céu negro e tempestuoso. Que Sithis proteja o Rei.               


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Verde das Almas - Missão da Ordem - Cap VII

- Oush carai! To indo! – O Fae gritou e saiu voando de volta para a frente de batalha.

                Ilikkan se levantou vagarosamente tentando recuperar suas energias, sacudiu a cabeça, alongou o corpo, permaneceu sentado, não estava apto para uma luta, ainda não. Stummp permaneceu deitado fitando o teto em chamas. Olhava para aquilo imaginando quando seria a próxima peça do destino, fazer aquilo desabar sobre ele? Talvez, quão sádico o universo se sentia hoje?
                - Chame por mim. Você é meu, e eu sou seu, clame e eu irei a você. Peça, nossas almas são apenas uma – Uma voz maligna soou na mente de Stummp. Ele demorou um pouco para compreender. Algustus? Não. Sua armadura o chamava.
                O Lycan sabia que aquela armadura não era normal, sabia que ela o levaria a loucura de forma lenta e progressiva, podia senti-la tomando sua alma aos poucos, roubando sua sanidade, se alimentando dele, mas, seu poder, ele se sentia imortal e com 50 metros de altura quando a trajava, e em combate, o temor que o brilho negro da Maldição de Brianove levava temor ao coração dos inimigos. Ele estava plenamente ciente dos riscos, e queria correr cada um deles.  Se levantou cambaleante, sorriu e bradou:
                - Ouça teu mestre, venha até mim, eu lhe ordeno, eu aceito e suporto a Maldição de Brianov. Somos um! Venha até mim!!!  - Nada aconteceu, Illikan ficou olhando o amigo com cara de “coitado, enlouqueceu de vez, vai começar a comer merda e ver gnomos”.
                O Lobo olhou ao redor, esperava algo acontecer, nada além de decepção.
                May continuava seu esforço para trazer Alexander de volta. Visivelmente exausta a garota tentava até suas ultimas forças num esforço pleno não deixar a vida do garoto se esvair.
                No fronte Riel e Shiro ainda se digladiavam contra Miriápode. A Rainha inseto buscava atingir um dos dois com seu veneno mortal, se obtivesse sucesso estava certa que as toxinas do composto fariam o resto do trabalho por ela. De outra feita, os ordenados buscavam se manter longe das presas e ferrões do inimigo. Em um movimento ousado a Rainha lançou contra os campistas um jato de teia prendendo Shiro no chão e avançando com suas presas contra a garota. Riel fez subir uma barreira de chamas e se lançou em uma rasante para salvar a companheira. Tão logo o Fae soltou a amiga foi atingido por uma das patas da Rainha aranha e rodopiou no ar até ir de encontro com o chão.
                Era um desafio e tanto, a inimiga era rápida, perigosa e muito forte em combates corpo a corpo. Não conseguiriam vencê-la sem riscos, e não podiam nem mesmo contar com os demais ordenados.  O Fae se levantou xingando a rainha e sacudindo suas asas. Shiro fitou-a e apertou com mais força o punho de sua espada.
                                              
_ Êsh _
                Riel alçou voo, porém se manteve sobre a companheira de Ordem, o garoto possuía no momento um sorriso potencialmente mais diabólico na face. Suas seis asas – Agora com o selo a pleno vapor – batiam velozmente em suas costas. Abaixo dele Shiro encarava o inimigo e se concentrava. A jovem bruxa cravou sua espada no chão, era hora de testar o que seu mestre havia lhe ensinado.
                - Pronto borboleta? – Ela perguntou sem tirar os olhos da Rainha que caminhava com cautela em direção à Bruxa.
                - Fala sério, eu sempre estou pronto. – O Fae respondeu revirando os olhos – Vamos lá. Comece!
                Shiro encontrou a palma de suas mãos na direção de seu peito e começou a recitar um mantra, seus olhos começaram a emitir uma luminosidade amarelada, e consoante esta aumentava ela subia as mãos para a direção de sua testa. Riel ergueu uma parede de fogo para ganhar tempo e pousou na frente da bruxa. Ele imitou os movimentos da garota. Seus selos começaram a brilhar e arder muitissimamente, em uma reação de imenso poder a espada lendária entre ele reagiu ao encantamento flutuando no ar e liberando grande gama de energia. Uma explosão de luz cegou a todos no local, quando a luz tronou-se menos densa, os corpos de Riel e Shiro estavam desacordados um sobre o outro e flutuando sobre eles, empunhando Ignis uma criatura tão grande quanto a rainha aranha, de proporções espectrais e como uma reiatsu devastadoramente grande. Êsh, o fogo devorador havia sido invocado com sucesso.*
                A criatura emitiu um som metálico e se lançou contra a Rainha Inseto, os reflexos da criatura a fizeram contra-atacar com suas teias que ao se aproximar do espectro demoníaco eram consumidas, Êsh atacou com sua espada, a aranha interpôs resistência utilizando seu ferrão como uma enorme adaga, o tintilar ressoou pelo local apenas uma vez. O segundo golpe da fusão resultante dos espíritos de Shiro e Riel foi devastador, Ignis ardeu de forma colossal nas mãos da criatura, num movimento horizontal abriu-se um corte por toda a extensão do corpo da rainha, chamas negras começaram a devorar a rainha de dentro para fora, sua vitalidade parecia ser o comburente das chamas devorando-a por completo. Até restar apenas o ferrão, intacto. Êsh se desfez e os espíritos foram sugados imediatamente para os corpos dos ordenados. Tamanho foi o desgaste do golpe, eles demoraram 15 minutos apenas para conseguirem se mover, e outros 20 para serem capazes de andar.
                Com a eliminação da ameaça restava agora trazer Alexander de volta e dar o fora daquela maldita floresta. Stummp ainda estava especialmente triste pela ausência de sua armadura, mas, não podia arriscar a vida de mais ninguém por ela. Estava perdida.

                May ainda reunia seus esforços, sem eu limite para não deixar Alexander vir a óbito. 

* O Êsh é um Espectro Infernal das Legiões do 6º Ciclo. Existem poucos deles, dentro da Hierarquia infernal são agentes autônomos não incorporando as tropas do Ciclo, tem liberdade para firmar pacto com seres da superfície. Podem ser convocados a partir de um feitiço de alimentação astral, basicamente, o invocador permite que o Êsh se alimente de parte de grande parte de sua energia vital, fornecendo para ele sua alma ( que servirá de substrato energético) por um curto período de tempo, criando uma porta de materialização no mundo terreno. É um feitiço extremamente delicado e raro uma vez que exige um pacto, uma linha de autoridade, e grande quantidade de energia para abertura do portal de invocação. As consequências possíveis são a morte do invocador, caso o Êsh venha a ser destruído, esgotamento mágico e físico do invocador e risco de, caso o espectro se revolte, este consiga subtrair a alma do invocador para si.


domingo, 26 de junho de 2016

Verde das Almas - Missão Ordem da Rosa - Cap VI

                                                         V I

Boom.
Uma explosão lançou os rapazes para um lado e a Rainha para o outro. Eles abriram os olhos ainda vivos, vislumbraram a sala confusos e então sentiram a temperatura subindo. Suas marcas arderam, olharam para o céu e viram uma figura voando.

- Uhahahaha. Queimar !! UUUHHHH Queimar pra caralhoo. Adoro churrasco de insetos, odeio coelhos – a figura parou pensativa – mas adoro queimar, queimar insetos é divertido.
Aquela insanidade no olhar, todo aquele poder e uma orelha faltando, nunca estiveram tão felizes em ver aquela maldita borboleta do satã. Riel lançava rajadas de fogo nas teias incendiando todo o local.
Eles sorriram, seus corpos relaxaram por um segundo, vislumbraram uma sombra negra se aproximar.
- Me- Meu Rei – Balbuciou Illikan, com sua visão embaçada.

            - Cala boca, ou vai morrer antes que eu poça te curar – A rainha revirou os olhos, empurrando o garoto e o deitando sobre o chão.
May se debruçou sobre Alexander e suas mãos se envolveram em uma luz esverdeada, se concentrava o máximo que podia perdê-lo não era a droga de uma opção, não depois do que havia acontecido. Ela precisaria dele, as ordens deviam ser cumpridas, embora as odiasse.
- Vai vai vai !!! Volta seu idota, a droga da sua missão não acabou, seu rei não ordenou que você morra ! Agora acorda!  - a luz ficou sensivelmente mais forte. Suor descia pela testa nua da rainha, seus olhos focados encaravam a face pálida de Alexander enquanto seus lábios repetiam um mantra incessante.
Um pouco a frente deles Riel e Shiro lutavam contra a enorme criatura, já muito irritada, diga-se de passagem. O Fae mantinha-se a uma distância segura disparando labaredas de chamas não só na Rainha, como em suas teias e qualquer coisa incendiavel na sala. A menina desembainhou Ignis Loudien. A temperatura subiu sensivelmente uns 5 graus, a espada ardia na mais pura chama, um brilho dourado saia do crepitar do fogo na lâmina, com um sorriso no rosto Shiro avançou contra a rainha.
- Nosso rei manou lembranças ! Ele disse que ouviu os insultos, mas, ao contrario dos cavaleiros dele que são dignos do esforço de um Rei, você não é.  – A garota balançou sua espada criando uma tormenta de fogo que atingiu a enorme aranha causando purulentas feridas e lançando-a para trás.
A rainha urrou visivelmente irritada.
- Eu matarei todos! E depois irei atrás do seu Rei!  Harrrr ! Guardas !!! – Ela gritou e uma fileira de soldados adentrou o local correndo em direção aos ordenados. 
 Kyriel voou em círculos gargalhando
- GRILOS FRITOS NO ESPETO SAINDO !!!!  -- E com um sorriso psicótico no rosto lançou uma nova saraivada de chamas negras contra os inimigos. Estes, prontamente impuseram seus escudos se defendendo.
Riel sentiu-se ainda mais motivado. Gostava de brincar com “a comida”. O selo em suas costas brilhou, suas feições mudaram, um novo par de asas brotou em suas costas, sua reiatsu elevou-se consideravelmente.
- HAHAHAHA ! VAMOS SUBIR A TEMPERATURA. QUERO VOCÊS CROCANTES !  -- O fae lançou uma tormenta de chamas negras vibrantes tão quentes, tão densas que consumiram não só os escudos nos soldados como toda sua carne, todo o líquido dos inimigos entrou em calefação sobrando nada além dos seus exoesqueletos sem vida e... crocantes.
Enquanto o mundo desabava a Rainha de Dragonsreach ainda tentava trazer Alexander de volta. Percebendo a situação Riel voltou-se para os companheiros e sobrevoou os mesmo os encarando de forma curiosa. Revirou os olhos.
- Espíritos do fogo, escutem teu servo, que venha a escuridão e restaure seus filhos! Graça dos Antigos ! – Uma luz azulada brilhou no chão atingindo Stummp, Illikan e Alexander. O vampiro e o Lobo sentiram o calor correr por seus corpos restaurando seus espíritos e vitalidade, suas feridas lentamente começaram a fechar, ainda estavam fracos e feridos, mas, a dança com a morte teria que esperar.
De outra feita, Alexander ainda não demonstrava reação.
            - PORRA FILHAS DAS PUTAS ! AJUDA AQUI CARAI !  -- Shiro gritou do outro lado enquanto se esquivava do enorme ferrão que saia do abdômen da aranha e tentava outro golpe para dar fim à ameaça.

                                           Kyriel - Selo nv 1

Verde das Almas - Missão Ordem - Cap V

V

Os inimigos haviam caído. Porém, a que custo?
Não bastasse Alexander está perdendo sangue em grande velocidade e a um passo da morte, o selo de Illikan e Stummp se foi levando com ele toda a energia restante dos rapazes. Os dois mal podiam se manter de pé, cada músculo de seu corpo doía, eles se deixaram cair próximo a Alexander. Ainda mantinham o sorriso desafiador no rosto.
Do outro lado da grande sala, a rainha aplaudia lentamente, envolvida de ironia e prepotência.
- Parabéns... Vocês são mais fortes que eu imaginava. Terei de mata-los pessoalmente, e isso rapazes, é uma grande honra.
A rainha levantou-se lentamente perdendo sua forma humana e assumindo sua identidade monstruosa. Expandiu-se até possuir 3,5 metros de altura e 5 metros de largura, suas presas pingavam veneno, suas patas articuladas pareciam se mover como o vento percorrendo o salão e indo em direção dos nossos heróis. Estes, esgotados apenas sorriam na cara da morte, não podiam fugir, e se não tinha saída, a escolha era não morrer como covardes, eles encararam a criatura nos olhos, tentaram uma reação, seus corpos não se mexiam.
Mais perto, ela estava agora a 25 metros deles, havia diminuído a velocidade para apreciar as presas imóveis e deliciosas, seguia triunfante, levantou-se sobre os três com suas presas embuidas em toxinas para o golpe final.
A mente dos rapazes encontrava-se em relativa paz, tinham a consciência que haviam lutado com valor, e que sua morte era honrada. Embora, agora, no derradeiro momento, a honra não parecia grandes merdas, eles preferiam força e uma espada a toda sua enorme carga de honra. Mas, tudo que possuíam era um sorriso e honra. Alexander dormia, exausto, repousava nos braços da morte e aleitava-se em suas tetas negras, seu sangue fugia de seu corpo criando uma grande poça no chão. Illikan segurava sua espada e sustentava seu sorriso, lutara o bom combate, e encontraria descanso no vazio. Stummp só se lamentava por não poder ver seu dragão uma outra vez, de resto, morria ao lado de Illikan, ele sempre soube que essa amizade terminaria em sangue e lealdade, repousava no leito tranquilo de Sithis após tanta dor. Lamentava não ter encontrado suas respostas, suas lembranças eram tão confusas, pareciam irreais e embaçadas, sua vida toda buscou por saber a verdade sobre a morte de seus pais, sobre sua infância, talvez o destino o estivesse poupando. Talvez ele merecesse um descanso. Os olhos dos três se fecharam, e as presas desceram.

                                   

Verde das Almas - Cap IV

Illikan rugia com sua espada em mãos, focava em sobreviver. Finalmente tinha um novo objetivo para sua vida, era sua melhor possibilidade de encontrar o mais próximo que chegaria de um lar. Vivera sua vida toda daquele jeito, batalhando, entre a vida e a morte, entre a fome e a espada. Não conheceu seu pai. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas 9 anos e então o jovem garoto teve que se virar pelas ruas. Perambulava sem rumo, roubava comida nas feiras, capturava pombos. Qual a sua escolha? Sabia o que era certo ou errado, mas, o certo certamente o mataria pela fome. Cresceu em sabedoria, tornou-se um grande ladrão, rápido e silencioso. Vendeu seus serviços para muitos lordes e em uma dessas tarefas conheceu Stummp.
            Stummp não teve uma vida muito melhor que a do amigo, filho de um criador de bodes e de uma meretriz, não conhecia amor familiar. Não que isso fosse comum, nas Terras de  Amindonar, ao sul do castelo Fosso Relicário, de onde Stummp vinha. Desde muito cedo foi forçado a trabalhar, seja carregando peso, vigiando as cabras. Não bastasse isso, a violência doméstica era algo constante, ser um cinzeiro humano para seu pai apagar os cigarros não era nada divertido. Divertido mesmo foi quando ele o matou, aos 13 anos, estripou o maldito velho e o viu vazar até a morte enquanto se divertia rindo. Depois do acontecido ele se perdeu, virou um nômade, vagando de vila em vila, cometendo pequenos roubos, se tornando mais hábil, esperto, um guerreiro até conhecido na região. Aos 16 possuía seu próprio bando de ladrões e salteadores. Aos 17 conheceu Illikan em uma missão. História para outro capítulo.
            Alexander, ele não dava a mínima para seu passado. Sua vida passou a ter um real sentido quando encontrou Algustus, seu rei havia lhe dado não só uma razão para vida, como também todo o afago familiar que ele nunca teve, ele sentia que tinha importância, mais que isso, sentia que tinha poder. Agora era ele um Lord de Dragonsreach e o segundo no comando da cidadela, seria indigno morrer naquela situação decadente. Recusava-se a parar, a perder a fé.
            Embora louvável a atitude dos três, parecia mesmo ser o fim. Alexander avançou urrando, o bruxo só desejava sair dali e vislumbrar Dragonsreach uma ultima vez. Seus olhos se encheram de determinação, a terra ao derredor se desprendia do chão e uma fina camada de areia dourada ainda o circundava, vinda do próprio corpo do herdeiro de Seth. Os relâmpagos agora perdiam o direção atingindo vários pontos da sala. Illikan e Stummp avançaram com igual determinação atrás.
            - Eu morro hoje, mas levarei todos vocês comigo – Alexander disse com um sorriso suicida avançando contra os soldados.
            - Vou sentir sua falta. Espero que a gente possa se encontrar do outro lado. – Stummp disse sorrindo para Illikan.
            - Haaa para de viadagem. Sem essa porra de cena dramática, vamos sair daqui e fazermos o maior bacanal que o puteiro de DG já viu !!! – O Vampiro disse com um sorriso largo e lágrimas nos olhos.
            Vermelho.  Caindo de gota em gota e colorindo o chão. Alexander Sorria enquanto 6 lanças atravessavam seu corpo.
            - Hahahahaha. Idiotas. Vocês perderam. – Ele disse para os soldados que não compreendiam.
            Illikan e Stummp compreenderam. A formação havia sido rompida. Não havia tempo para chorar pelo tutor, só podiam vinga-lo. Diante da situação, o selo em suas costas ardeu com uma intensidade absurda. Seus olhos se envolveram em total escuridão, suas feridas começaram a queimar. Stummp cresceu ainda mais, seus pelos desgrenhados abriam espaços para longos espinhos ósseos que deixavam sua carne e constituíam uma arma a parte nas costas, cotovelos, e mãos do Lycan, o selo nível 1 havia se aberto. Illikan seguiu pelo mesmo caminho, longas asas despenadas se ergueram de suas costas, seu tamanho se elevou em 1/3, seus músculos se ampliaram, uma energia vermelha brilhava constantemente em sua mão direita sugando a vitalidade dos inimigos ao redor. Ambos se lançaram, aproveitando a quebra de formação proporcionada por Alexander, no exato espaço desprotegido e se embrenharam no meio dos inimigos.
            Verde. Viscoso. Caindo de gota em gota e colorindo o chão. Em pouco menos de 5 minutos todas as tropas inimigas estavam devastadas e mortas pelo solo do lugar. Em uma demonstração descomunal de poder Stummp separou cabeças de corpos, perfurou os órgãos vitais dos inimigos com seus espinhos, por vezes dois ao mesmo tempo. Com sua formação rompida, confusos e preenchidos pelo medo, os soldados nem mesmo conseguiam pensar em como reagir tornando-se presas fáceis para os Ordenados. Illikan drenava vitalidade e irrompia a carapaça dos inimigos com suas garras monstruosas, arrancando órgãos e entranhas e as espalhando pelo chão. Ao fim restaram os dois de pé em meio á um mar verde e grudento.

            Vermelho. Caindo de gota em gota a vida de Alexander se esvaia pelo chão. 

Verde das Almas - Missão Ordem da Rosa - Cap III

III
            Miriápode sorriu com desdém.
- Não sois vós dignos nem mesmo de alimentar minhas crianças. Farei melhor, serão exemplos. Espalharei suas partes em estacas por toda a floresta, deixarei que as feras selvagens devorem vossos corpos, e quem sabe que até mesmo seu patético rei encontre seus restos. E suas malditas cabeças serão ótimos enfeites na minha sala.
            Stummp voltou os olhos para a rainha e mentalmente amaldiçoou o universo.
- Sério é assim que acaba? Eu vou morrer seminu virando espetinho de insetos gigantes? Vá para ordem da Rosa eles disseram. Vai ser legal eles disseram. Grandes poderes, muitas putas eles disseram.  Aff viu?! Tomar no **.
            Illikan sorriu ao ver a revolta do amigo.
- Nem foi tão ruim, você comeu algumas putas, e ganhou um dragão. Eu só me fodi nessa porra, quase morri duas vezes e não to reclamando. Afinal, essa é graça, apertar a bunda da morte e sair correndo.
            Alexander revirou os olhos, o bruxo se mantinha com uma inabalável confiança.
- Para de reclamar novatos. Está na hora de lutar. – O Mago do deserto se levantou se espreguiçando.
            A rainha se ajeitou em seu trono dando gargalhadas.
- Vocês são muito divertidos, eu mataria vocês pessoalmente, mas, acabei de botar algumas centenas de ovos, estou indisposta. Crianças, matem-nos ! – a rainha ordenou a seus guardas.
            Sem ponderar por nem um segundo os guardas de elite avançaram em formação, posicionaram seus escudos e apontaram suas lanças para os guerreiros. Stummp assumiu sua forma bestial em um urro aterrorizante. Illikan dobrou de tamanho ao transmutar-se em sua forma aterrorizante. Estavam usando suas ultimas gotas de energia, morrer em batalha era a escolha forçada imposta a eles. As mãos de Alexander se envolveram em energia negra, pequenas ondas elétricas revestidas de matéria escura envolviam os punhos do rapaz que mantinha olhos de gelo nos inimigos. Não restava nada além de lutar.
            Os passos agrupados e coordenados dos soldados reais compactaram o chão, suas lanças e escudos se fizeram uma verdadeira parede móvel, uma perfeita falange. Nossos guerreiros deram um salto para trás buscando um ponto fraco, Alexander disparou um relâmpago negro que cruzou o ar e se dispersou inutilmente contra os escudos. Recuaram um pouco mais, Illikan e Stummp tentavam se movimentar buscando um local viável para um ataque. Sem sucesso.

            Novamente os guerreiros se viram obrigados a recuar para não serem esmagados contra a parede de lanças móveis que se erguiam contra eles. Alexander urrava com ódio e ainda lançava relâmpagos contra os inimigos, sem efeitos. O Bruxo agora começava a perder as energias e a respirar de forma pesada e descompassada. A frustração no rosto de Illikan e Stummp era nítida, não conseguiam se aproximar para desferir um único golpe e eram forçados a recuar cada vez mais. Estavam ficando sem tempo, sem espaço e sem forças. Mortos por insetos numa caverna no meio de uma floresta. Que bosta de fim para a Ordem da Rosa. Mais alguns passos atrás e já não tinham para onde ir, estavam cercados em uma quina da sala sem perspectivas de saída. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Missão - Verde das Almas : Cap II

II
            Os olhos dos agora prisioneiros só encontraram-se com a luz dias depois. Estavam sendo forçados a caminhar em direção à algum lugar, suas mãos permaneciam amarradas, e ao entorno deles os guardas de elite faziam a escolta. O lugar fedia, suas roupas fediam, a umidade criava uma atmosfera insuportavelmente quente e que cerceava a capacidade respiratória. Depois de dias naquele lugar, a caverna parecia exercer um efeito claustrofóbico nos rapazes. As paredes de terra eram desformes e idênticas, sem a devida orientação era impossível se localizar corretamente ali dentro. O chão, de terra batida, solado e compactado após o constante trânsito era gélido e escorregadio, a luminosidade provinha basicamente de fungos luminescentes posicionados muito longe um dos outros. Os ordenados foram coagidos a prosseguir seu caminho. Seguiram pelos corredores por mais algum tempo, em silencio, em um caminhar fúnebre e desesperançoso.
            Houve uma intensificação da luz quando os três atravessaram a passagem ornada. Sim, a mesma passagem onde outrora foram capturados. O lugar era diferente, as paredes eram lisas, trabalhadas, com cuidado e dedicação. O chão era ainda de terra, contudo possuía uma uniformidade invejável, plano, plenamente nivelado. Algumas tochas ardiam trazendo visibilidade ao local. Alex observou tudo em volta: O espaço onde se encontravam possuía estrutura côncava, cerca de 150 metros quadrados, uma espécie de altar a oeste, decorações nativas espalhadas pelo salão. Um trono largo e pomposo estava no ponto sul, o “telhado” era recoberto por uma estrutura esbranquiçada e disforme, teias, enormes e voluptuosas teias.
            A lança de um dos soldados cutucou o bruxo, um fio de sangue escorreu, e ele voltou a caminhar. Agora eram levados para a parte sul, defronte ao trono. Uma figura estranha surgiu de uma porta lateral, um insectoide de aparência pífia e frágil.

- Saudações, Eu sou Alum, servo de Miriápode, porta voz da rainha e servo da colônia. Vocês são acusados de assassinatos, crime de desordem, uso não autorizado da força, dentre outros. A rainha os julgará e determinará vossas punições. - Ele disse em um tom formal. 

            Os três olharam ainda sem compreender o que acontecia quando uma figura apareceu. Portadora de uma beleza estonteante, não era deformada e decrépita como todos aqueles insetos ali, embora preservasse traços comuns, como sua coroa, roupagem e armadura, era muito mais semelhante a uma mulher humana que a uma criatura habitante e governante daquelas cavernas.

- Ajoelhem-se perante a rainha Miriápode ! – Gritou o porta-voz.

            Os guardas cutucaram os prisioneiros com suas lanças, e tão logo eles se ajoelharam eles também o fizeram ante sua rainha.
            A mulher caminhou com graça até seu trono, sentou com suas pernas cruzadas e encarou os decrépitos prisioneiros.

- Vocês são acusados de muitas coisas rapazes... Causaram grande confusão em meu singelo reino. Humm.... o que eu deveria fazer com vocês? Alimentar minhas crianças? Separar as partes de seus corpos por ai? Usar seus ossos para construir ninhos... são tantas coisas... – A criatura comentou pensando alto.

            Os ordenados a encaram com ar de desafio, se não podiam derrotar todos ali, ao menos sabiam quem comandava aquele lugar, e quem mata o rei, reina. (Ou causa a ira dos súditos e acabam mortos de forma desesperadora, mas, eles torciam pela primeira opção).

- Vocês querem dizer algo? Falem, aproveitem que sei o idioma humano. Porque estão aqui? O que querem em minhas terras? Porque deveriam viver?

            Illikan e Stummp voltaram seus olhos para Alexander.

- Majestade – O cavaleiro iniciou – Nos perdemos na floresta, e acabamos por acidentalmente penetrar em vosso reino. Não foi de nossa intenção causar tanta desordem, porém, para nos defendermos, e salvaguardar nossas vidas, acabou sendo feito. Pedimos perdão pelo que foi causado. – Ele disse calmamente com um tom culto e mui educado.

- Pois bem, estrangeiro, compreendo sua situação – A rainha disse e trouxe certa esperança aos prisioneiros – Todavia, se os deixar ir, terei minha autoridade questionada, vocês cometeram crimes, e devem portanto pagar por eles. Dura lex, sed lex.

- Majestade, creio que possamos ser uteis de outra forma. Se assim proceder, nosso rei virá, e trará sobre vossas terras desgraça e destruição muito maior que a que causamos – Alexander disse agora com certo ar de prepotência.

A rainha o encarou por um minuto.

- Seu rei não tem poder aqui. – ela disse com desprezo e raiva.
O bruxo se calou, Illikan  e stummp o fuzilaram com o olhar como quem diz “ Seu burro filho da puta, não podia dizer algo melhor?”

A rainha os olhou:

- Não sei quem é vosso rei, sei que ele os abandonou, mais que isso, eu sou vossa rainha, é para mim que vocês se ajoelham no momento. – ela disse sorrindo prepotente.

Alexander sorriu.

- Eu me ajoelho sim, mas não é para vós. Deixe-nos ir agora. Esse é meu ultimo aviso. A escuridão reina em todo o lugar, e o vazio engole todos os mundos – ele falou fechando os olhos. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Verde das Almas - Cap I

I

            Outra vez a morte parecia cercar nossos heróis em um abraço voraz e sem escapatória. A senhora que a todos visita, observava de seu trono vil e negro pronta para finalmente ceifar aquelas criaturas que tantas vezes a tinham enganado.

            Illikan saltou para trás e olhou ao redor. Contou, a priori, 25 guardas insetos normais e outros 15 trajando armadura completas, provavelmente nascidos e treinados para serem o suprassumo dos guerreiros daquela colônia. Os guardas mantinham uma posição defensiva e um olhar calmo e voraz para os ordenados. Os demais marchavam em formação, com suas lanças apontadas para frente, de forma a circundar os guerreiros. Assim procederam até formarem um círculo ao derredor dos invasores.

            O lycan, o vampiro e o bruxo se entreolharam. Cercados, exaustos e sem nenhuma expectativa de sair vivos dali. A marca em cada um deles reagiu e então eles puderam ouvir os pensamentos um do outro, era como se o selo tivesse ciência da situação e operasse de forma autônoma. Deviam eles tomar uma decisão, uma derradeira e provavelmente mortal decisão, lutar até a morte, ou se entregar para outra possível morte. Sopesando suas chances nulas, encarando os guardas ao redor que se aproximavam com vagarosidade, o tempo parecia findo, lutar e morrer ou render-se?

             O lobo e o vampiro apertaram com maior firmeza suas armas, um uivo de batalha deixou os lábios de Stummp e ele se agitou, um sorriso insano perpassou por sua boca, estalou o pescoço e se preparou. Compreendendo o escopo do companheiro, Illikan de igual forma procedeu, apertou sua espada com firmeza e encarou cada um dos inimigos com fúria. Não obstante à animação dos dois novatos, Alexander contava com algo além de vontade de matar e destruir, seu amor pela guerra era inferior à sua sabedoria. Algustus confiava no bruxo, pois acreditava que o garoto poderia agir com frieza e inteligência quando necessário. Quem abaixa as armas hoje, tem a oportunidade de tomá-las amanhã. O Bruxo do deserto largou sua varinha, posicionou sua foice nas costas e ergueu as mãos em pleno sinal de rendição. Seus companheiros repousaram um olhar atônito sobre o Cavaleiro. Como assim se render? E a luta, a honra? A... céus, os pensamentos cessaram no exato momento em que o bruxo lançou um olhar tão frio quanto Iceoth, os dois novatos então compreenderam e abandonaram suas armas no chão, tudo então se fez trevas.