segunda-feira, 20 de junho de 2016

Missão - Verde das Almas : Cap II

II
            Os olhos dos agora prisioneiros só encontraram-se com a luz dias depois. Estavam sendo forçados a caminhar em direção à algum lugar, suas mãos permaneciam amarradas, e ao entorno deles os guardas de elite faziam a escolta. O lugar fedia, suas roupas fediam, a umidade criava uma atmosfera insuportavelmente quente e que cerceava a capacidade respiratória. Depois de dias naquele lugar, a caverna parecia exercer um efeito claustrofóbico nos rapazes. As paredes de terra eram desformes e idênticas, sem a devida orientação era impossível se localizar corretamente ali dentro. O chão, de terra batida, solado e compactado após o constante trânsito era gélido e escorregadio, a luminosidade provinha basicamente de fungos luminescentes posicionados muito longe um dos outros. Os ordenados foram coagidos a prosseguir seu caminho. Seguiram pelos corredores por mais algum tempo, em silencio, em um caminhar fúnebre e desesperançoso.
            Houve uma intensificação da luz quando os três atravessaram a passagem ornada. Sim, a mesma passagem onde outrora foram capturados. O lugar era diferente, as paredes eram lisas, trabalhadas, com cuidado e dedicação. O chão era ainda de terra, contudo possuía uma uniformidade invejável, plano, plenamente nivelado. Algumas tochas ardiam trazendo visibilidade ao local. Alex observou tudo em volta: O espaço onde se encontravam possuía estrutura côncava, cerca de 150 metros quadrados, uma espécie de altar a oeste, decorações nativas espalhadas pelo salão. Um trono largo e pomposo estava no ponto sul, o “telhado” era recoberto por uma estrutura esbranquiçada e disforme, teias, enormes e voluptuosas teias.
            A lança de um dos soldados cutucou o bruxo, um fio de sangue escorreu, e ele voltou a caminhar. Agora eram levados para a parte sul, defronte ao trono. Uma figura estranha surgiu de uma porta lateral, um insectoide de aparência pífia e frágil.

- Saudações, Eu sou Alum, servo de Miriápode, porta voz da rainha e servo da colônia. Vocês são acusados de assassinatos, crime de desordem, uso não autorizado da força, dentre outros. A rainha os julgará e determinará vossas punições. - Ele disse em um tom formal. 

            Os três olharam ainda sem compreender o que acontecia quando uma figura apareceu. Portadora de uma beleza estonteante, não era deformada e decrépita como todos aqueles insetos ali, embora preservasse traços comuns, como sua coroa, roupagem e armadura, era muito mais semelhante a uma mulher humana que a uma criatura habitante e governante daquelas cavernas.

- Ajoelhem-se perante a rainha Miriápode ! – Gritou o porta-voz.

            Os guardas cutucaram os prisioneiros com suas lanças, e tão logo eles se ajoelharam eles também o fizeram ante sua rainha.
            A mulher caminhou com graça até seu trono, sentou com suas pernas cruzadas e encarou os decrépitos prisioneiros.

- Vocês são acusados de muitas coisas rapazes... Causaram grande confusão em meu singelo reino. Humm.... o que eu deveria fazer com vocês? Alimentar minhas crianças? Separar as partes de seus corpos por ai? Usar seus ossos para construir ninhos... são tantas coisas... – A criatura comentou pensando alto.

            Os ordenados a encaram com ar de desafio, se não podiam derrotar todos ali, ao menos sabiam quem comandava aquele lugar, e quem mata o rei, reina. (Ou causa a ira dos súditos e acabam mortos de forma desesperadora, mas, eles torciam pela primeira opção).

- Vocês querem dizer algo? Falem, aproveitem que sei o idioma humano. Porque estão aqui? O que querem em minhas terras? Porque deveriam viver?

            Illikan e Stummp voltaram seus olhos para Alexander.

- Majestade – O cavaleiro iniciou – Nos perdemos na floresta, e acabamos por acidentalmente penetrar em vosso reino. Não foi de nossa intenção causar tanta desordem, porém, para nos defendermos, e salvaguardar nossas vidas, acabou sendo feito. Pedimos perdão pelo que foi causado. – Ele disse calmamente com um tom culto e mui educado.

- Pois bem, estrangeiro, compreendo sua situação – A rainha disse e trouxe certa esperança aos prisioneiros – Todavia, se os deixar ir, terei minha autoridade questionada, vocês cometeram crimes, e devem portanto pagar por eles. Dura lex, sed lex.

- Majestade, creio que possamos ser uteis de outra forma. Se assim proceder, nosso rei virá, e trará sobre vossas terras desgraça e destruição muito maior que a que causamos – Alexander disse agora com certo ar de prepotência.

A rainha o encarou por um minuto.

- Seu rei não tem poder aqui. – ela disse com desprezo e raiva.
O bruxo se calou, Illikan  e stummp o fuzilaram com o olhar como quem diz “ Seu burro filho da puta, não podia dizer algo melhor?”

A rainha os olhou:

- Não sei quem é vosso rei, sei que ele os abandonou, mais que isso, eu sou vossa rainha, é para mim que vocês se ajoelham no momento. – ela disse sorrindo prepotente.

Alexander sorriu.

- Eu me ajoelho sim, mas não é para vós. Deixe-nos ir agora. Esse é meu ultimo aviso. A escuridão reina em todo o lugar, e o vazio engole todos os mundos – ele falou fechando os olhos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário